quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Guerrilha

A favela de Heliópolis - SP virou um campo de guerra ontem com pelo menos quatro ônibus e três carros incendiados. Esse foi o segundo dia de protestos contra a morte de uma jovem de 17 anos, vítima de uma bala perdida durante uma perseguição policial.



A revolta começou após a distribuição de “folders” entre os moradores.

Motivos à parte, tem muito publicitário bitolado em web e preocupado com BV que não sabe fazer uma ação de impacto. Eu presenciei isso mês passado em um evento onde 2 integrantes de 2 grandes agências de SP perguntaram aos blogueiros como fazer para que um assunto fosse divulgado por eles, em seus respectivos blogs.

É pacabá!

Translúcido, transparente não.

E para se mostrar transparente, o Governo Federal lançou o "portal da transparência", no qual todo e qualquer cidadão pode acompanhar o destino do dinheiro público, a aplicação do dinheiro dos seus impostos. O quão transparente é o projeto eu não sei. O que não podemos negar é que a iniciativa é boa. Pelo menos é uma tentativa de tapar os milhares de buracos da ética na política.

Abaixo o comercial que convida o cidadão a acessar o site:



Pra quem se interessar: www.portaldatransparencia.gov.br

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Twittada

Deu no G1: Famílias dos EUA aprendem a usar twitter e redes sociais para se comunicarem em casos de desastres.
No Brasil, aprendem pra escrever coisas do tipo: acordei às 07h e comi pão com manteiga.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Filosofia de segunda

Democracia totalitária

Ainda bem que vivemos num país democrático, comemoram muitos.
Mas, quantos destes já pararam para pensar: o que é, de fato, a democracia?
Etimologicamente: democracia origina-se do grego. Demos significa povo e cratos, força, poder, por conseguinte, governo. O dicionário moderno não foge à origem da palavra: regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com o povo. De fato, na Grécia Antiga era assim. Os cidadãos em praça pública tomavam as decisões que diziam respeito à pólis. Política e Ética eram indissociáveis. Logo, governar, necessariamente, visava o bem comum.

Óbvio que eram outros tempos; as cidades eram infinitamente menores. Mas, será por isso, que nem resquícios desse sistema chegaram até nós? Enriquecemos a questão ao analisarmos algumas sociedades indígenas contemporâneas ainda não contaminadas pela cultura branca (principalmente a Xingu). Lá, o chefe não manda (na acepção que temos do termo). O cacique é aquele que conhece a história, a cultura, as tradições, e transmite isso ao seu povo. É o grande mediador de conflitos. Não dá ordens porque não há delegação de poder. Sem delegação de poder não há repressão. Sem repressão não pode haver dominação de um grupo por outro grupo, ou de um indivíduo por outro. Isso aponta na direção das utopias: uma sociedade que não precisa ter poder. E proporciona uma vivência para nós quase inimaginável: alguém nascer e morrer sem receber uma ordem sequer. O índio, na força de sua cultura, é um ser absolutamente auto-suficiente. Sabe fazer tudo de que precisa para viver – plantar, caçar, pescar, sabe fazer sua casa, fazer seu instrumento, fazer seus objetos de adorno, sua rede, sua esteira, sua canoa. Nasce e morre sem depender de ninguém para nada. A informação é aberta; o que um sabe todos podem saber. Ninguém se apropria da informação para transformá-la em poder. Em suma: o que há é a democracia do consenso.

O filósofo francês Jean Jaques Rousseau, ainda no século XVIII nos alertou quanto à ameaça corruptiva da “civilização”.
Discursivamente, para Rousseau, no princípio de tudo, havia uma sociedade que mal se percebia. Ao “chegar” a civilização, começa-se a divisão em famílias e criam-se os afetos. Estes, por sua vez, geram o sentimento de posse, fazendo com que uns se destaquem em relação ao todo. O sentimento de superioridade do homem sobre os outros seres vivos e sobre outros homens faz com que ele adquira consciência de si e comece a sua transformação do “natural” ao “social”, pervertendo assim a sua natureza.
O homem civilizado regula-se pelo amor próprio. Ao contrário, o homem natural de Rousseau guia-se pelo amor de si (disposição voltada para a preservação do ser singular) e pela comiseração (repulsa natural ao sofrimento de qualquer ser vivo especialmente o humano). A desigualdade social, então, é iniciada no movimento de apropriação da natureza pelo homem. Nesse momento, faz-se necessário o Estado (governo) para conter a instabilidade. Mas, ao invés de resolver, funda-se a sociedade política que perpetua a dominação do rico sobre o pobre (crítica à monarquia absolutista de sua época).
Obviamente não se deve tomar em sentido cronológico nem literal o problema filosófico de Rousseau. O que ele propõe com seu sistema é um resgate da natureza humana. Mas de maneira alguma suscita uma volta ao homem natural. Ele pensa numa civilização racional e moral que realize a natureza do homem. Um sistema fundado na Vontade Geral, que projete o Eu Comum da humanidade. Vontade geral não como sinônimo de vontade da maioria (já que esta pode ser o somatório de vontades individuais). Vontade geral tendo como pressupostos a comiseração e o amor de si.

Vivemos hoje num país onde, quando muito, prevalece o somatório das vontades individuais.
Talvez encontremos algumas saídas argumentativas: a “democracia” brasileira é demasiada jovem. Da Constituinte até hoje, contam-se apenas 21 anos. Não temos parâmetro sequer para nos compararmos conosco mesmo.
Mas, o que dizer da alienação política que assola a nossa nação?
Assistimos aos escândalos que, por sua constância midiática, não mais escandalizam. Exaltamos a honestidade como virtude ao invés de pressuposto.
Aplaudimos os discursos vazios do nosso Presidente que usa e abusa de frases feitas para ludibriar a população mais carente.
Conformamo-nos com programas assistencialistas que transformam o pobre em cárcere da esmola.
Observamos inertes à demolição ideológica do “partido dos trabalhadores” em detrimento à eleição presidencial, cabendo até conivência e apoio a antigos desafetos políticos.
Aceitamos o solapamento da liberdade com a obrigatoriedade do voto.
Etc. Etc. Etc.

Não. Definitivamente não vivemos numa democracia de fato. O que temos é uma democracia representativa com mofo nas entranhas. Um sistema manco no qual os representantes ainda dependuram. Uma política que flerta muito mais com o totalitarismo do que com a liberdade.

sábado, 29 de agosto de 2009

Aprecie sem moderação

Rolou na última quinta-feira a exposição coletiva da qual eu fiz parte no Ateliê Ubirajara Júnior em Ribeirão Preto. Foram selecionados 5 trabalhos de 5 "aspirantes a artistas".
Acredito que, além do vinho e dos petiscos, mais coisas foram apreciadas:


"Sem título"
Acrílica sobre tela


"O homem nas concepções temporais"
Acrílica sobre tela




"Sensações"
Acrílica sobre tela




"Presente"
Acrílica e colagem sobre tela




"Nós"
Óleo sobre tela

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Twittada

Não tenho nada contra escrever em 140 caracteres. O que não se pode limitar é o pensamento.

Cinematólogo

Vi no programa Zoom da TV Cultura o projeto Cabine Celular realizado por Daniel Bacchieri e Thiago Carnevale e gostei muito. Cinema, tecnologia e redes socias andando lado a lado para pulverizar críticas e elogios à sétima arte.

Comercial Ford Fusion. Vale só pela música ou o conceito é bom?

Música: Back in Black do ACDC.

Conceito: "Quem dirige o novo Ford Fusion fez por merecer."

terça-feira, 25 de agosto de 2009

E os reclames, como estão?

A discussão sobre a relevância e a eficácia das redes sociais continua fervilhando , mas os velhos comerciais ainda estão "comendo solto" na TV aberta. Então, analisemos o que está no ar por estes tempos.

A primeira proposta é lançarmos olhos sobre o vt da Antactica Sub Zero. Será que o ator global venderia uma escada boa de subir ou um faca boa para cortar?



Ok. É engraçado, é irreverente. Mas numa época em que a aproximação entre marcas e pessoas torna-se latente, o conceito da Intel "nossos ídolos não são como os seus ídolos" é, no mínimo, questionável.



Comprovado? Por quê?
O cientista estereotipado (careca, barbudo e de óculos), pede gentilmente que as crianças que se encaixarem nas características citadas por ele dêem um passo à frente. As crianças o fazem e, do nada, entra a locução "comprovado". A questão nem é a qualidade do comercial (que por sinal é deplorável), mas a coerência (ou a falta dela) no texto.



O conceito "não se reprima" é de um chocolate delicioso? De um pudim de doce de leite?
Não! É de uma bagaça light. E o pior: mandando eu seguir meus intintos. É de doer!



E ai? Concorda? Discorda? Em termos?
Mete bronca e aproveita pra indicar mais comerciais geniais.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Toca Raul!

Hoje, 21 de agosto, faz 20 anos que o trem das 7 levou o maluco beleza.
Raul Seixas tem milhares de fãs clubes e ainda inspira multidões. No entanto, a maioria conhece somente as músicas que chegaram às paradas. Vale a pena sair do "mainstream" do Raul e conhecer o lado B do poeta anarquista.
Abaixo a múscia "Gospel" de 1974, censurada pela ditadura:

O que será, será?

Hoje, no caminho para a agência, passei por mais 2 postos de combustíveis que estão sendo construídos.
Ribeirão está se transformando na cidade dos butecos e dos postos de combustíveis. É um a cada esquina.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Curtinha

"No mundo contemporâneo, somos escravos sem senhores"

O que inspira no cinema?

Por Lucas Otuzi

Nada como um bom filme. Claro, não existem unanimidades, mas o cinema aparece como uma das diversões favoritas das grandes massas. Roteiros bem escritos, atuações emocionantes, fotografia perfeita, enquadramento, figurino, cenografia... ufa, um bom filme parece um quebra-cabeça, onde essas peças se encaixam e formam as obras que nos encantam e inspiram há muito tempo.

Opa, inspiração? Sim, claro! Somos publicitários, criativos, revolucionários (com moderação), temos no cinema uma grande fonte de referências (repita comigo: referência sim, chupada não).

Bons roteiros nascem de boas ideias, a matéria-prima de nosso trabalho. Filmes realmente bons surpreendem, mexem com a nossa imaginação, nos fazem viajar, nos tiram da realidade (nem que seja por alguns preciosos minutos). Grandes concepções visuais deslumbram, derrubam queixos e enchem os olhos. “Uau, que cena, que iluminação, que fotografia”.

Apesar de ser um redator convicto confesso: sou um apaixonado pela estética, pelo visual. A primeira vez que eu assisti “Sin City”, logo na primeira cena, tela em PB, apenas o vestido da personagem em um vermelho profundo... imagine um anúncio com esse cuidado gráfico, com esse bom gosto... uma verdadeira obra de arte comercial.

Ok, voltemos a realidade, muitas vezes (a maioria delas) não temos a menor estrutura para fazer algo de proporções cinematográficas. E eu pergunto: e daí? Será que a nossa criatividade não nos permite captar a essência do cinema e traduzi-la em um anúncio... sem foto, sem orçamento, mas cheio de inspiração? Será que as botas na árvore do “Peixe Grande”, com aquelas cores características, não dariam origem a uma ótima campanha?

E a ideia de colocar uma parte do filme como anime, ou desenho animado japonês, bela sacada de “Kill Bill”, altamente adequado ao tema, criativo, diferente, fora do lugar comum.

Cinema é uma das maiores fontes de inspiração publicitária que eu conheço. Boas ideias fazem belos filmes e grandes campanhas, sem reclamações, cheias de inspiração.

Referências cinematográficas visuais:
Peixe Grande e suas Maravilhosas Histórias (Big Fish) – Tim Burton – 2003
Sin City (Sin City) – Robert Rodriguez – 2005
300 – Zack Snyder – 2006
V de Vingança (V for Vendetta) – James Mc Teigue – 2006
Dogville – Lars Von Trier – 2003
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain – Le fabuleux destin d'Amélie Poulain – Jean-Pierre Jeunet – 2001
Kill Bill – Quentin Tarantino – 2003
O Clã das Adagas Voadoras (House of Flying Daggers – colocar o título original em chinês é sacanagem) – Zhang Yimou – 2004

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Surfe cor-de-rosa


O surfista Julian Wilson, de 18 anos, é um dos talentos mais promissores da Austrália, tendo ganho várias competições a nível nacional, bem como no panorama internacional, onde ficou conhecido por eliminar em 2 campeonatos o eneacampeão mundial de surf Kelly Slater. Recentemente, durante o WCT, Julian pintou todas as suas pranchas de cor-de-rosa. Motivo? Apoiar sua mãe na sua luta contra o câncer de mama, divulgando nas próprias pranchas informações sobre esta doença e angariando fundos para a fundação australiana de combate ao câncer de mama. A mãe de Julian teve a doença, mas conseguiu superá-la.
Atitudes como essa mostram como é possível envolver pessoas em prol de uma causa desde que a mensagem seja verdadeira.

Mídias sociais são uma mania?

Não. Pelo menos é o que quer mostrar Erik Qualman. Ele reuniu num vídeo vários argumentos que provam a importância da "social media" para a comunicação e, claro, promovem seu novo livro "Socialnomics".

Alguns números são impressionantes:

1. Midias sociais ultrapassaram o pornô como atividade número 1 da web.

2. 1 em 8 casais casais casados nos EUA no ano passado se conheceram através de uma rede social.

3. Números de anos para atingir 50 milhões de usuários: Radio (38 anos), TV (13 anos), Internet (4 anos), iPod (3 anos)…Facebook adicionou cerca de 100 milhões de usuários em menos de 9 meses… iPhone apps bateram 1 bilhão em 9 meses.

4. Se o Facebbok fosse um país seria o 4° maior do mundo.

5. 80% das empresas usam o LinkedIn como ferramenta prioritária para encontrar novos empregados.



via simviral e updateordie

Com essa foto dá pra vender o quê?


Quais associações criativas essa foto inspira? Mande sua sugestão.

Semana que vem, a gente publica o anúncio original. Até lá.

Mais um anúncio da Bacaolinita. Seus filhos com mais saúde


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Artista guerrilheiro

Banksy, o grafiteiro mais famoso e misterioso do mundo, por mais paradoxal que possa parecer, está com uma exposição no Bristol Museum em Londres até o final de agosto.
O artista já foi censurado várias vezes. Um exemplo aconteceu em Bristol: um grande mural, com pouco mais de 7 metros de comprimento seu foi coberto de tinta por funcionários contratados pela prefeitura da cidade para lidar com pichação.



Nascido em Bristol, Banksy iniciou aos 14 anos, foi expulso da escola e preso por pequenos delitos. Sua identidade é incerta, não costuma dar entrevistas e fez da contravenção uma constante em seu trabalho, sempre provocativo. Os pais dele não sabem da fama do filho: "Eles pensam que sou um decorador e pintor". Recentemente, ele trocou 500 CDs da cantora Paris Hilton por cópias adulteradas em lojas de Londres, e colocou no parque de diversões Disney uma estátua-réplica de um prisioneiro de Guantánamo.Suas obras são carregadas de conteúdo social expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder. Em telas e murais faz suas críticas, normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas, de forma agressiva e sarcástica, provocando em seus observadores, quase sempre, uma sensação de concordância e de identidade.



Característico para um homem que mantém sua identidade secreta, a exposição é marcada pelo mistério. A mídia, vereadores locais e até mesmo funcionários do museu só souberam do projeto um dia antes de ficar pronto para a abertura.
“Esta é a primeira exposição que faço que o dinheiro dos contribuintes será usado para pendurar as minhas imagens em vez de ser para as limpar”, comentou Banksy em declarações à BBC.

Banksy vs Bristol Museum (trailer):


Para conhecer um pouco mais do trampo do cara, acesse:

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

EBP 2009 – parte 4

O que representa inovação?


Igor Puga (ID/TBWA), André Matarazzo (Gringo), Pedro porto (Santa Clara Nitro), Mentor Muniz Neto (Bullet)


Como parte de um assunto muito discutido hoje em dia, vários são as vertentes sobre inovação.


Na mesa de debate do EBP 2009, os convidados, no pouco tempo que tinham, colocaram opiniões na maioria divergentes.


Somente no final do debate é que o assunto enriqueceu de fato, mas aí já era tarde demais.


Dentre as minhas anotações destaco duas frases MUITO interessantes de Pedro Porto:


- A inovação tem muito mais a ver com o que se desaprende.


- O dessaber faz aparecer o inesperado.


Segundo ele, essa questão de desaprender hoje é a bandeira da Santa Clara.


Após o debate, procurei o Igor Puga e o Pedro Porto e, separadamente, perguntei a eles:


- A inovação hoje não está muito mais vinculada a verdade do que a novidade?


O Igor disse que sim e que esperava que o debate abordasse justamente isso.
Pedro também concordou e completou dizendo que a verdade deveria ser uma premissa, que os produtos deveriam ser bons, que as empresas deveriam ser sinceras, mas que nem sempre é assim.


E você, o que pensa sobre inovação?

Globo versus Record

Não para de passar na Globo. No site do jornal da Globo está:

"Edir Macedo é acusado de comandar uma quadrilha que desviava dinheiro da Igreja Universal. Promotores de São Paulo acusam o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, e mais nove pessoas de enriquecimento pessoal às custas da instituição religiosa"

E aí? Há limite entre a notícia e a parcialidade?