Recentemente, em nome da moral e dos bons costumes, tiraram do ar um comercial da Havainas no qual uma senhora dizia a palavra "sexo" para a neta.
Na última semana entrou no ar a campanha "vamos ao savana" da Abelha Rainha. E adivinhem?!O comercial foi censurado pela Rede Globo antes mesmo de verem o filme.
"Motel, a partir desse mês, só depois das 22 horas.
Fiz questão de comparar o comercial com o trecho da novela "Duas Caras" . O que é mais "imoral"?
E mais: no portal da EPTV (retransmissora da Globo), a peça abaixo foi censurada por ser considerada "forte" demais. O que quer dizer essa palavra, pergunto eu.
Definitivamente, estamos a mercê do Império da Hipocrisia.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Século XXI?
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Massa!
A empresa americana Moody Pets lançou uma bola com bigode para deixar as brincadeiras dos cachorros mais divertidas (pra nós).
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Burtonland no MoMA
Essa é pros brazucas que estão aproveitando a valorização do Real pra dar “aquela” viajada.
Um dos diretores mais inovadores da história do cinema, Tim Burton, conhecido pelo romantismo, melancolia e solidão de seus filmes, também é talentoso nos desenhos, pinturas e esculturas. Suas obras estão em exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Vale a pena conferir.
MoMA
11 West 53 Street
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Gosta de ler?
Olá jovens.
Desculpem a ausência.
Esta semana postarei um resumo das demais palestras que assisti no Intercon.
Enquanto isso, aqui vai uma dica muito bacana para quem, ao mesmo tempo, gosta de ler e é antenado.
Trata-se da rede social "O livreiro", uma espécie de orkut do mundo dos livros, onde podemos criar ou participar de comunidades e debates sobre autores favoritos, comentar, conhecer pessoas com os mesmos gostos literários e, inclusive, comprar livros on line.
Se interessou? Clique aqui e confira.
Abraços.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Quer ser um bom publicitário? Não faça publicidade.
Esse título fala “publicitês”, diria grande parte dos diretores de criação. Tem ironia e um duplo sentido que, apesar de duplo sentido, enseja uma séria questão axiológica. Se meu filho (embora ainda não o tenha) chegasse de supetão e dissesse “pai, quero ser publicitário!” o que eu faria? Primeiro, usaria de todos os subterfúgios para arrancar essa idéia maluca de sua cabeça. Se o moleque batesse o pé, aconselhá-lo-ia a não cursar Publicidade, Propaganda, Marketing e afins. A faculdade, ao mesmo tempo em que suscita um deslumbramento, condiciona o universitário a pensar publicitariamente, dentro de um modelo pré-concebido. Eis o primeiro sentido de não fazer publicidade que o título sugere. Mas, não fazer publicidade, significa, principalmente, não praticar essa publicidade bunda mole, viciosamente circular, que é mera reprodução. Uma publicidade que usa o que já deu certo como meta e não como parâmetro para fazer diferente.
A maioria dos publicitários de hoje entende um tanto de publicidade, mas não entende de comunicação. A começar, não conhecem os mecanismos do conhecimento humano, as possibilidades que a sua estrutura cognitiva propiciam. Mais que isso: não conhecem o funcionamento da vontade, da faculdade de desejar, que é a mola propulsora do consumo; aquela faísca que desperta a empatia por esta ou aquela marca e cria a necessidade de compra.
Não conhecem, ainda, os meandros do sistema que fomentam, o sistema para o qual trabalham 10 ou 12 horas de cada santo dia seu. Por que é assim e não assado? Quais os caminhos históricos percorridos que fazem do mundo o que ele é hoje? Qual a origem do capitalismo? Grande parte não conhece sequer a origem da propaganda. Não sabe que se faz propaganda (propagare em latim) desde a Idade Média pela Igreja Católica com o intuito de difundir a fé cristã e que bem antes disso (mesmo sem a utilização do termo), os escritos de Lívio, já eram obras-primas da propaganda estatal pró-Roma.
Aí, quando questionados, quando colocados contra a parede, as reações dos profissionais são as mais diversas, dependendo da área de atuação.
Uns vêm com milhares de gráficos, tabelas, slides e querem mostrar que a publicidade tem um “quê” de exatidão. Querem provar por A mais B que a propaganda pode ser ciência. Mas, esses profissionais, que andam com a calculadora na bolsa e o esquadro debaixo do braço, apresentam, por exemplo, perfis sociais que mais parecem referir-se a pastas de um almoxarifado do que a pessoas. “É preciso fazer essa mídia e aquele canal para atingir o público-alvo (target para os mais empolados) - homem, 25-50, classe B”. São receitistas. Para a doença X, o remédio Y funciona. Por quê? Porque sempre funcionou, ora bolas.
Do outro lado, os ávidos por novidade. Engajamento, envolvimento, convergência, conteúdo colaborativo, redes sociais. Eis alguns termos já desgastados para esses caras (sem contar as milhares de siglas que nem eles mesmos sabem os reais significados).
“Nessa campanha, vamos usar o Twitter, You Tube, criar um perfil no Orkut e outro no Facebook...”
“Ótimo, mas o quê, efetivamente, vamos colocar nesses meios?”
“Isso depois a gente vê.”
Não sabem distinguir o novo da novidade. O novo é aquilo que chega e implanta uma modificação positiva e consistente. A novidade é efêmera. É modismo. É passageira. Ilustro com o “Second Life” que era a grande revolução para muitas marcas. E quem, hoje em dia, cogita-o como ferramenta de comunicação?
Muitos usam a novidade como válvula de escape, como máscara para a falta de conteúdo. E mais: vivem mais o virtual do que o real. Têm mais amigos no Orkut do que na vida. Conversam com o colega de trabalho por MSN. Resultado: não têm um pingo de sensibilidade, de tato. Fazem uma publicidade que nada tem de humana.
Especificamente em criação, conheço vários “redatores” que não sabem escrever. Não conhecem a linguagem, não leram as obras mais essenciais para a formação cultural de qualquer cidadão. Sequer têm o hábito da leitura. “Diretor de arte” que não conhece minimamente História da Arte, do Design, Cinema e Fotografia é o que não falta.
Mais do que erudição, falta a esses profissionais, Espírito Artístico (no sentido lato, expresso na filosofia do romantismo alemão do século XIX). Tanto quem cria, quanto quem contempla tem que ser tocado artisticamente. Trago um pequeno trecho de João Francisco Duarte Júnior que nos auxilia a esse respeito: “A arte tem o poder de, quando contemplada, estimular o contato frente a frente com nossos próprios sentimentos.”
Então, veja menos propaganda. Estude psicologia, filosofia, literatura, arte. Escute música clássica, MPB e Jazz. Vá a museus e teatros. Mas nunca, nunca mesmo, deixe de freqüentar o sambão da periferia e o forró do subúrbio. Converse com o povo. Tire uma tarde para bater aquele papo com o aposentado na praça ou com o sorveteiro da esquina.
Com isso, você poderá aprender o essencial à boa propaganda: contar histórias. Apesar de ser uma celebração desde que a humanidade se percebeu como tal, pouquíssimos sabem fazer bem. Homero, na Grécia Arcaica, com as suas grandes epopéias, refletia o espírito do povo; era difícil, embora transmitidas oralmente, um grego que não conhecesse as sagas de Aquiles e Ulisses. Outro exemplo ímpar é o efeito catártico que as tragédias gregas engendravam nos cidadãos. É de arrepiar imaginar 35 mil pessoas reunidas na “arena” para contemplar em êxtase uma história que ia além do entretenimento, era a própria visão de mundo, a representação artística da existência humana. Exemplos tupiniquins não faltam pra compor a nossa banca. Monteiro Lobato, Machado de Assis, Drummond e, porque não, Portinari são exemplos de exímios contadores de histórias escritas e imagéticas.
Acredito que a grande revolução da propaganda não é tecnológica ou digital. O dia em que a propaganda começar a contar histórias envolventes de verdade, esse dia vai ser revolucionário. E, a partir desse dia, poderemos falar em Comunicação.
domingo, 15 de novembro de 2009
Intercon 2009 (3)
Interessante a palestra de Fabiano Meneghetti que contou a sua trajetória de designer e programador e, principalmente, a do seu blog Abduzeedo, que já é um grande sucesso entre os publicitários e aqueles que gostam de design. Muito massa o blog do cara. Muita coisa inspiradora. Para quem não conhece, http://abduzeedo.com.br/
Outro bate papo bacana foi com Leonardo Dias, CEO da TaxiLabs que contou um pouco do advergame Transformers II, produzido no Brasil e aprovado por nada mais, nada menos que Steven Spilberg.
Case completo e outros mais (como o do T-Racer da Fiat) no site http://www.taxilabs.com.br/
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Intercom 2009 (2)
Mas, o mais impressionante na minha opinião, foi o case "Unique Types" para a AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente.
A ideia nasceu bem menor: um dos diretores de arte quis fazer um banner animado no qual parte das letras que compunha um nome próprio desaparecia mostrando que "não fazia falta" para o entendimento do todo. Vale a pena ver o vídeo abaixo:
Intercon 2009

No último sábado, eu, o Raul e o Matheus fomos ao Intercon, em São Paulo.
Realizado pela iMasters, o evento, em sua sexta edição, reuniu 30 palestrantes em 3 ambientes (Business; Tecnologia; Criação e Inovação) e contou com a participação de diversas pessoas.
Como foco principal o meio digital e suas ferramentas de inovação, onde cada palestrante abordou características singulares, dentro da experimentação e tecnologia, para o sucesso da comunicação.
A partir de hoje, compartilharemos trechos que julgamos importantes.
Começo com a palestra de Marcelo Coutinho (Ibope Inteligência), no Ambiente Businnes, que fez um paralelo das ações praticadas hoje no meio digital pelas empresas com a teoria da Catedral e o Bazar e finalizou com uma verdade não vista por muitos:
“Os consumidores entendem quando as empresas erram. Não entendem quando as empresas mentem.”
domingo, 8 de novembro de 2009
Conversa no ponto de ônibus...
- Para que você faz Filosofia? A imensa maioria das pessoas vive sem isso!
- Sobrevive!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Filosofia de segunda
MARCUSE: A REPRESSÃO DO SÉCULO XX.
O século XX e seus fenômenos históricos tais como o fracasso do socialismo real e as duas grandes guerras, impuseram difíceis questões aos pensadores, em especial, aos marxistas. A principal: deve-se abandonar o projeto comunista ou preservar o potencial crítico da teoria de Marx?
Nesse contexto de incertezas, funda-se, em 1923, a Escola de Frankfurt. Com inspiração inicial marxista, incorporou diversas contribuições filosóficas, sociológicas e psicanalíticas para construir sua teoria crítica. Das questões atinentes ao seu tempo, uma em especial inquietava a esses filósofos: por que não se cumpriu a expectativa iluminista de emancipação da humanidade pela razão?
Hebert Marcuse (1898-1979) foi figura central de Frankfurt. O cerne de sua principal obra “Eros e Civilização” é também uma pergunta: seria possível uma sociedade não-repressiva?
Para responder a isso, Marcuse recorreu a dois autores de peso: fez a intersecção dos conceitos freudianos com aspectos da teoria marxista, a saber, interpretou filosoficamente “A Civilização e seus Descontentes” de Freud e a confrontou com a sociedade capitalista contemporânea.
Vamos a ela: o homem é constituído, basicamente, por dois instintos primários: Eros e Thânatos. Eros é a energia libidinal, o princípio de prazer. Thânatos é a inclinação à destrutividade, pulsão de domínio, de morte. Apesar de opostos, ambos têm procedência comum: o desejo de eliminação da tensão; a vontade de retroagir ao estado inorgânico, anterior à vida.
O aparelho mental humano (estrutura psíquica) é dividido em: ID, EGO e o SUPEREGO. O ID corresponde àquilo que é mais primário no ser humano; domínio do inconsciente, das pulsões, das gratificações. EGO é o mediador entre o ID e o mundo exterior; a percepção da diferença entre o EU e o mundo. Por fim, o SUPEREGO é a interiorização da repressão inicialmente personificada na figura paterna. É responsável pela renúncia de alguns desejos.
Cabe- nos, então, mostrar como Freud faz a “passagem” do Pai ao Superego (assumida de um ponto de vista simbólico). No princípio das civilizações, o comando era exercido por um Pai Primordial. Este detinha o monopólio das mulheres do grupo e impunha o trabalho aos filhos. Os filhos nutriam um sentimento ambivalente pelo pai: ora afeto, já que a sua presença promovia unidade e segurança ao grupo, ora revolta, pela imposição das restrições. Aqueles que ameaçassem a soberania despótica eram excluídos. Em dada passagem, os filhos exilados se rebelam, assassinam o pai e o devoram. O poder, então, é assumido pelo clã de irmãos. Entretanto, o pai é divinizado e interioriza-se o tabu. Surge o sentimento de culpa. Eis o superego; eis a repressão.
Marcuse parte da repressão freudiana para fazer o apontamento de seu conceito de mais-repressão da sociedade contemporânea. Como o próprio nome indica, mais-repressão é a repressão adicional, que excede o necessário à civilização e é ensejada pela dominação de alguns homens sobre outros. Nas sociedades primitivas era preciso a repressão devido à carência tecnológica. Como observa Freud, se não houvesse repressão, a vida não seria possível, já que os homens, entregues ao princípio de prazer, matariam uns aos outros. Mas o que Freud não observou, segundo Marcuse, é a repressão social (mais-repressão). Na sociedade contemporânea capitalista, na qual a abundância tecnológica dispensa a repressão originária, emerge a mais- repressão, fundada no trabalho alienado. A dominação não é mais do pai primordial, mas sim impessoal e objetiva concretizada no Principio de Desempenho (que passa a ser o Princípio de Realidade). Os homens são concebidos por suas funções econômicas. As posições sociais são definidas pelo desempenho. As preocupações contemporâneas (como por exemplo, reconhecimento social) nada têm a ver com o Ser do homem.
O controle, a repressão, desloca-se do campo instintual para o controle da consciência e é de tal força que o indivíduo e o todo são a mesma coisa. O superego é automatizado com a substituição das relações clássicas com os pais pelas agências extra-familiares de socialização, como os meios de comunicação de massa. Substitui-se o patrão pela dominação impessoal. Mesmo quem “manda”, obedece às regras do sistema.
Controle há também sobre o tempo liberado (não existe tempo livre) com a imposição do Principio de Desempenho mesmo nos momentos de lazer. Não há a possibilidade de o individuo entregar-se a si próprio ou retirar-se para um mundo diferente. O repertório de escolhas é superficial, restrito a opções de consumo. A liberação da sexualidade (visto como avanço por alguns) é somente aparente, circunscrita ao universo do consumo. À velhice cabe a mesma análise: é “redescoberta” em suas possibilidades mercadológicas.
Enfim, a civilização contemporânea é a consumação plena do trabalho alienado e da negação humana. Tudo é mercadoria, inclusive o homem e suas relações.
Diante de um quadro tão desolador, como fica a pergunta que norteia a obra de Marcuse? E então, é possível uma sociedade não-repressiva?
Ele diz que sim.
Recapitulando: para Freud, a ausência de repressão é uma impossibilidade para a vida social, pois implicaria na desorganização da produção econômica e na renúncia à cultura, já que os homens viveriam numa busca desenfreada pelo prazer, destruindo uns aos outros.
Marcuse, no entanto, observa que a repressão instintiva é exógena, ou seja, é exterior ao homem. Assim, modificados os moldes (a realidade empírica), é possível suprimir a repressão.
Mas, como mudar tais moldes?
Reconciliando o Princípio de Prazer com o Principio de Realidade, na erotização das relações sociais, morais e na erotização da razão. A tecnologia avançada propicia a redução do tempo destinado ao trabalho. Obviamente, haveria uma queda nas opções (não se poderia escolher entre 40 modelos de carros, por exemplo). Mas a ampliação das gratificações psíquicas seria inestimável. Instinto sensual transformado em Eros de uma civilização não repressiva.
E quanto ao instinto de morte?
Seria neutralizado visto que se origina de uma vida desagradável. Com a preponderância do Princípio de Prazer ao Princípio de Realidade, a pulsão de morte seria suprimida.
“Eros e Civilização” data de 1955. O próprio Marcuse, em obras posteriores, não se mostra tão otimista. Se vivesse no século XXI, creio que sequer escreveria.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Moscas podem virar mídia?
Isso te assusta?
Certa feita, me perguntaram: Qual o seu maior medo?
Na hora não respondi.
Pensei... Pensei e conclui: meu maior medo é, no fim, olhar para trás e ver que levei uma vida medíocre. É morrer sem ter feito nada de extraordinário.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Vertigem
Começou esta semana em São Paulo, no Museu de Arte Brasileira da FAAP, a exposição “Vertigem”, dos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, OSGEMEOS.
A mostra reúne obras que traduzem o cotidiano brasileiro, da periferia urbana ao folclore nordestino, em imagens surrealistas que remontam uma atmosfera de sonho, por meio de cores alegres e personagens melancólicos. As instalações oníricas incorporam carros, barcos e bonecos cinéticos gigantes à pintura de parede em grande escala.
Confira abaixo um pouco da exposição que também passou por Curitiba.
É a arte interagindo “literalmente” com as pessoas.
A exposição vai até o dia 13/12 e a entrada é gratuita.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Obrigado por fumar
Está um bafafá no Congresso Nacional. Estão querendo regulamentar a profissão de lobbista. Hoje, eles levam deputados e senadores para almoçar, jantar, viajar e nada fica registrado. Atravessam a rua e oferecem os mesmos benefícios para ministros e assessores. Assim nascem as leis.
O ministro Tarso Genro afirmou: “O lobby existe sobre o Estado em todas as suas esferas. Não há dúvida de que existem grupos de influência, legítima ou corruptora. O objetivo da regulamentação do lobby é evitar que a proteção de interesses gere um trato desigual”.
Para quem quer saber um pouco mais sobre essa santa profissão, recomendo o filme "Obrigado por fumar".
Nele, Nick Naylor é o principal porta-voz das grandes empresas de cigarros, ganhando a vida defendendo os direitos dos fumantes nos Estados Unidos. Desafiado pelos vigilantes da saúde e também por um senador oportunista, que deseja colocar rótulos de veneno nos maços de cigarros, Nick passa a manipular informações de forma a diminuir os riscos do cigarro em programas de TV. Além disto Nick conta com a ajuda de Jeff Megall, um poderoso agente de Hollywood, para fazer com que o cigarro seja promovido nos filmes. O que ele não esperava era ser "seduzido" por uma repórter e...
Com muita ironia o filme faz, ao mesmo tempo, um raio-x das entranhas da Indústria Tabagista e da Sociedade como um todo.
Twittada
Hoje é aniversário do Presidente Lula, mas quem ganha o presente é você, eleitor!
Prestes a encerrar mais um mandato, nosso saudoso companheiro sopra as velinhas enquanto o Brasil, da marolinha, vai de "vento em popa".
Copa do mundo e Olimpíadas garantidas por aqui; Redução do IPI praticamente garantida até o final do ano; Descoberta de petróleo tão tão profundo; Compra de caças super modernos quase concluída. (teria mais algo que esqueci?)
Isso é o que o governo pode dizer de "positivo". E de negativo?
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Inteligência decadente?
Alguns pensadores (inclusive contemporâneos) defendem a hipótese de que a expressividade da existência humana teve seu ápice na Grécia antiga, especificamente na Grécia pré-clássica. Expressividade entenda-se manifestação artística e intelectual.
De lá para cá, a humanidade vem descendo a ladeira.
Faz sentido. Se pensarmos que na Grécia Arcaica os versos homéricos eram cantados a todos, eram cultura popular e hoje só são lidos por catedráticos, dentro das universidadades.
Eles escutavam as histórias de Aquiles e Ulisses. Nós, assistimos novela e ouvimos pagode.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Publicitários, sigam o exemplo do senhor Carlos!
- Central de defesa do consumir, em que posso ajudá-lo?
- Meu nome é Carlos Alberto Solano de Almeida. Direto ao ponto, senhora: vou meter um processo na Rede Globo.
- Por que senhor, Carlos?
- A moça veio aqui... Ficou mais de uma hora me mostrando gráficos e mais gráficos...
- E então?
- Me convenceu! Eu investi uma bala. Mas paguei pela audiência do programa e eles me colocaram no intervalo!
Lemos?
Ainda na carona da "filosofia de segunda"
No século XIX Nietzsche afirmara:
"No mundo moderno, os leitores não ruminam o texto"
No século XXI eu pergunto:
Temos leitores?
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Sensacional!
Vale a pena conferir esse filme da Coast Yamaha, que está sendo veiculado na Austrália e Nova Zelândia.
A criaçao é da Clemenger BBDO Adelaide.
Clap, clap, clap.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Filosofia de segunda
Informação X Conhecimento
Há algum tempo o jornal “O Estado de São Paulo” anda veiculando um comercial (ver aqui) no qual o argumento de venda é a distinção entre conhecimento e informação. A diferenciação, em si, é pertinente. No entanto, cabe um aprofundamento na questão. Para isso, recorro a um pensador do século XVII, John Locke .
A teoria do conhecimento de Locke, exposta na obra “Ensaio sobre o Entendimento Humano” é empirista, ou seja, para ele todo conhecimento é, fundamentalmente, derivado da experiência sensível. O objetivo inicial da obra é, na verdade, político: expurgar o poder absolutista vigente na Inglaterra. O absolutismo era alicerçado no inatismo (que defendia que algumas idéias nasciam com os homens, gravadas na mente). Os soberanos, então, governavam por uma “concessão divina”; eram legítimos herdeiros daquele que criou o universo. “A mente humana é uma folha em branco, preenchida ao longo do tempo com a experiência”, afirmava Locke. Nessa perspectiva, todos nascem iguais. Demonstrado que o conhecimento deriva da experiência, o absolutismo alicerçado no inatismo cai por terra.
Entrando na questão do conhecimento propriamente dito: refutado o inatismo no início da obra, Locke vai mostrar como se dá o aprendizado, ou seja, como ocorre a passagem das impressões particulares para as idéias gerais e abstratas. São 5 passos:
1- Os sentidos recolhem o material que vai formar idéias particulares.
2- O entendimento vai se familiarizando com as impressões particulares decorrentes dos sentidos.
3- As idéias familiarizadas são alojadas na memória.
4- Para recuperar as idéias na memória, rotulam-se as mesmas, ou seja, emprega-se um nome aos conceitos (daí a importância da linguagem. Ela é o meio pelo qual as idéias exteriorizam-se).
5- Abstrai-se e criam-se nomes gerais, universais, que todos (ou quase todos) são capazes de entender.
A definição lockiana de conhecimento é: “percepção do acordo e conexão ou desacordo e oposição entre as minhas idéias”. O conhecimento é interno ao sujeito. É a capacidade de relacionar ou constatar o desacordo entre idéias. A informação (este não é um termo contemporâneo de Locke) é exterior. Pode virar ou não conhecimento.
Que benção! Se a informação pode virar conhecimento e vivemos na era da Sociedade da Informação, a possibilidade de conhecimento é grande, né? Não é bem assim. Recorramos novamente ao “Ensaio sobre o Entendimento Humano”. Locke nos fala de 3 graus de conhecimento:
Primeiro, o intuitivo que consiste na comparação imediata entre duas idéias, sem, portanto, necessidade de mediação. Mas não é sempre que conseguimos comparar sem mediação. Então surge o conhecimento demonstrativo, racional, que consiste na intermediação entre duas idéias para que haja a ligação. A matemática é um exemplo. Por fim, temos o sensitivo, que é a percepção das coisas particulares, limitado pelos próprios órgãos sensoriais. Este, só é válido para aquele momento. “Não é possível fazer-se ciência nesse grau de conhecimento”, diz Locke.
A informação está nesse grau.
A Sociedade da Informação não é, necessariamente, benéfica. Ao contrário, pode ser um obstáculo ao conhecimento. Conhecimento é um processo interno. É a possibilidade de aplicar o aprendido a outras situações, generalizar.
Conhecimento é “digestão”. Mas, hoje em dia, mal comemos uma informação, já temos outra sobre a mesa. Vorazes, devoramos. Engordamos, mas não estamos nutridos.
Repassar informação! Eis o que a maioria das escolas faz. Pressionadas pela necessidade de aprovação no vestibular, enxergam os alunos como “sacos” de depósito de conteúdo. Não ensinam a pensar, a fazer as conexões (como Locke aponta ainda em 1690).
Dicionários contemporâneos colocam conhecimento e informação como sinônimos. E, algumas pessoas tomam um pelo outro. “Menina, você não viu isso hoje no jornal?”, perguntam indignadas. Viram papagaios. Reproduzem o que ouvem ou lêem.
Voltando ao Estadão. O comercial é todo pautado pela oposição entre conhecimento e informação. Vejamos algumas colocações:
“Se hoje informação é de graça, qual o valor do conhecimento?”
Visão estritamente mercantil. Conhecimento, aqui, é mercadoria. O valor cognitivo seria aumentado pela gratuidade da informação. Que beleza!
“Conhecimento é difícil de achar.” Eis uma definição brilhante! O conhecimento não é “achável”. Como vimos, é um processo interno do sujeito.
Jornal, seja ele qual for, não traz em si o conhecimento. Mas se, por ventura, um trouxesse, todos trariam. Ilustro com manchetes desse domingo (18/09/09):
Estadão on line: “PM busca traficantes e corpos em quatro morros da zona norte do Rio”
Folha on line: “Mais inocentes podem ter morrido no Rio, diz PM”
Para usar como argumento de venda a distinção entre conhecimento e informação, ou a agência de publicidade do Estadão sabia que o jornal não fornece conhecimento e foi imoral, ou (o que é mais provável) só tinha informação e não conhecimento sobre o conhecimento.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Putz! Como não pensei nisso antes?
Juliana Uchôa e Bruno Oppido, da F Nazca, criaram um anúncio um tanto quanto inusitado, para lançar a nova linha de lavadoras da Electrolux.
Clap, clap, clap.
Vale a pena o clique
Através de indicações, conheci um trabalho muito bacana produzido pela Death Master Produções, para o clipe "Now I'm Brokem", da banda Lifetimes.
A direção é de Dherelynn Roth.
Produção independente.
Ribeirão Preto na cena.
Ajude o clipe a ser veiculado na MTV. Clique aqui e vote.
A magia do futebol
Como explicar toda a emoção de um País, que atravessa uma grave crise política, pelo simples fato de seu selecionado nacional se classificar para a copa do mundo de futebol?
terça-feira, 13 de outubro de 2009
A viagem
Essas quatro horas e meia vão custar mais a passar do que jogo de tênis da segunda divisão, pensei ao dar partida no carro. E o pior nem era isso. O pior era chegar. Confraternização de família é tudo igual. O padeiro da esquina é mais íntimo do que metade dos que estão na festa. É tia trocando nome de sobrinho. É prima que engravida antes do tempo. É a rodinha de cá falando mal da de lá e a de lá fofocando sobre a de cá. O inferno “terrestrizado”.
Mas eu dirigia com cara de satisfeito. Afinal, era a primeira vez que saíamos “em família”. Ao meu lado, Marcela corrigia as provas de seus alunos do período da manhã. Buraco na pista e zero virava nove. Um calor dos infernos, mas ela teimava em manter o vidro fechado. “Senão estraga o penteado, amor”. O pai dela, Seu Agemiro, farda impecável como sempre, apontava as coordenadas com um olho na pista, outro no mapa de ponta cabeça. “Em frente, meu rapaz” repetia de minuto em minuto, como se brotasse uma bifurcação a cada quilômetro. Atrás de mim e ao lado do comandante a sogrona, dona Geni. Sogrona sem eufemismo. A velha devia pesar para lá de cem.
“Volta, volta. Isso. Deixa nessa estação, Rodrigo.”
“Quando te vê...”
“ E os meus olhos ficam sorrindo...”
“ E pelas ruas vão te sentindo.”
“Seguindo, papai. E pelas ruas vão te seguindo.”
“Cuida da sua vida, Marcela.”
O que fiz para merecer isso? O ponteiro maior do relógio não tinha sequer completado a primeira volta!
Aturdido, não percebi a fila de carros no pedágio. Tive que frear bruscamente. Algo tocou o meu calcanhar. Ao olhar para baixo, subiu um gelo pela espinha. Maldito Lúcio. Eu não queria ter saído ontem, mas ele insistiu. “Deixa de frescura, Rodrigo. A gente fica só um pouquinho. A Marcela nem vai desconfiar. Amanhã você só viaja à tarde!” A sandália vermelha atrás do meu pé era a prova cabal. Estava encrencado, enrolado, enrascado e todos os “ados” e “idos” aplicáveis. E se ainda tivesse aprontado! Mas não. Vou pagar por um crime que não cometi. Dizia mamãe sabiamente: “Papagaio come milho e periquito leva a fama”. Eu tentei tirar o corpo na hora de ir embora da boate, mas o Lúcio insistiu. De novo. “É só uma caroninha. Nada mais do que seis quarteirões, meu irmão! Vai deixar a moça a pé a essa hora da madrugada? Deixei os dois na casa dela. Ela. Uma pessoa que nem o nome eu sabia ia me ferrar bonito!
Voltei a mim com a Marcela me estendendo um lenço de papel.
“ Nossa, amor! Que suadeira é essa?"
“Fico nervoso quando pego estrada. Não esquenta.”
Difícil não esquentar. Meu rosto fervia. A imensa subida se aproximava e eu em quinta marcha. Nem por decreto eu tiraria o pé de cima daquela sandália.
“O carro precisa de mais força, meu rapaz”
“Está acelerado, seu Agemiro. Dá para subir. Gasolina ultimamente está custando os olhos da cara”
Antes passar por mão de vaca do que por galinha.O meu arsenal de caras complacentes estava se esgotando quando, por milagre, um acidente na pista. Trânsito lento. Era a minha chance. Atenção dos velhotes e da Marcela voltada para o fato. Abri a porta e soltei discretamente a sandália pelo vão.
Aumentei o rádio. Comecei a cantar.
“Animadinho, hein”
“É o jeito, minha linda.”
Foram dez minutos de alívio. Só podia ser provação! Bati o olho no retrovisor e um dos faróis do carro de trás piscou. E de novo. E de novo. De tão velho, o outro não devia funcionar. E não é que a passageira está sacudindo feito louca a maldita sandália vermelha! Emendei uma terceira ,uma quarta, depois a quinta.
“Que pressa é essa, rapaz?”
Nem me dei ao trabalho de responder. Meia hora de percurso em quinze minutos de relógio e lá estávamos em frente ao salão. Nem sinal do tal carro.
Estacionei. Todos saíram, exceto dona Geni.
“Vamos mamãe”
“Peralá, Marcela, resmungou cabisbaixa a velha. Tirei minha sandália no meio da viagem e não estou encontrando!"
Para ler outros textos meus ou espiar meus quadros, clique aqui.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A máquina de fazer propaganda
Essa máquina de fazer propaganda vem com tudo programado e automatizado para agradar o cliente.
Pra que contratar uma agência de publicidade se você pode fazer tudo com a incrível Ad-O-Matic?
Se pudéssemos classificar essa animação seria, digamos, uma tragicomédia (principalmente para os publicitários), por que, se pararmos para pensar, essas máquinas existem: somos nós.
Via Brainstorm9
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Assustador?
Ontem assisti um comercial diferente de lanche (pra não dizer esquisito).
Confiram abaixo.
Opiniões?
O X da questão
Profissionalmente, o que é mais importante para você:
Ter prazer e ganhar dinheiro ou ganhar dinheiro e ter prazer?
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Por mais ciência na propaganda

Será que botar mais ciência na propaganda é maléfico? Será que vamos perder a poesia?
Será que a comunicação será ainda mais bunda mole? Previsível? Formatada? Sem graça?
Onde ficaria a emoção nesse caso? Seria o fim da criatividade? A morte do inesperado? Vejamos.
O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho (http://www.olavodecarvalho.org/) diz que “ . . . o ser humano só tem três linguagens para dar forma ao que apreende da realidade:
o mito, que expressa compactamente impressões de conjunto;
a ciência experimental, que descreve e explica grupos particulares de fenômenos segundo um protocolo convencional de métodos e aferições;
e a filosofia, que faz a transição entre as duas anteriores.”
Será então a filosofia a solução para todos os nossos problemas? Vou pensar mais a respeito.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Com essa foto dá pra vender o quê?
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Com essa foto a Bleublancrouge, Montreal, Canadá vendeu...
"A noiva de Frankstein"!
Criação da Fernanda Rosa. Parabéns, Fernanda!
Não precisa trocar de corpo para ficar em forma.
Twittada
O Rio de Janeiro acaba de ser escolhido para sediar as olímpiadas de 2016.
É pra comemorar ou pra chorar?
Cuidado, comunicador!
Relendo o post do Raul sobre a ciência na propaganda, lembrei-me do comercial da Smirnoff que começa com a frase "imagine algo que nunca ninguém imaginou".
Propaganda não é ciência, mas temos que tomar muito cuidado com o que colocamos na casa das pessoas ou nas ruas.
Senão corremos o risco de comunicar besteiras monumentais, como por exemplo atribuir ao nosso consumidor uma certa mediunidade.
Twittada
Ontem rolou o Video Music Brasil, em SP. 2 entre todos os prêmios tiveram destaque. Negativo.
Artista do ano: Fresno.
Melhor banda de rock: Forfun.
Fazendo uma conta rápida: se é o público que elege o vencedor e o público da MTV é jovem, logo os jovens, os intitulados "responsáveis" por um mundo melhor, merecem entretudo o governo atual.
O nome do evento deveria mudar para Video Music Besteirol.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Os fimes que não fiz
Do diretor Gilberto Scarpa, o curta metragem, ganhador de vários prêmios no Brasil e no exterior, mostra de forma divertida a filmografia de um realizador completamente desconhecido que tem muitos projetos e roteiros, mas não tem nenhum filme produzido.
Há depoimentos de produtores, diretores, atores sobre a filmografia deste diretor sem filmes e sobre o quanto teria sido importante (ou não) para suas carreiras a participação em alguns daqueles projetos.
“O Zélvis não Morreu, por exemplo, eu ainda não fiz porque não cheguei em um acordo com o Abud, a pessoa que trabalhou comigo no roteiro”.
Abaixo o trailler promocional. Em seguida um dos cinco"filmes" não feitos, intitulado A Farsante.
A propaganda tinha que ser mais científica
Tenho pensado muito a respeito. Por não ter a ciência para a apoiá-la (principalmente no quesito 'criação publicitária'), a propaganda fica a mercê dos achismos, dos gostos pessoais do cliente, de opiniões esdrúxulas.
- Olha, eu acho isso.
- Eu enxergo de outro jeito.
- Essa é a minha opinião! E pronto!!
Afe!
Por conta do lado artístico e imprevisível da propaganda, os publicitários acabam desrespeitados, fragilizados.
A todo o momento, ouvimos de clientes:
- Quem garante que esse slogan vai dar resultado?
- Esse título é melhor mesmo?
- Como dá pra ter certeza de que essa foto é a mais adequada para trazer o cliente para a minha loja?
Certeza?? Faltam argumentos concretos. Faltam dados. Falta ciência.
Certeza absoluta ninguém tem de nada, meu caro. Sabia não? Tem um trecho do livro O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS, de Carl Sagan, que considero perfeito para ilustrar tal preceito:
Estaremos sempre atolados no erro. O máximo que cada geração pode esperar é reduzir um pouco as margens dele e ampliar o corpo de dados a que elas se aplicam. A margem de erro é uma auto-avaliação visível e disseminada da confiabilidade de nosso conhecimento. Vêem-se frequentemente margens de erro nas pesquisas de opinião pública (“uma incerteza de mais ou menos 3%”, por exemplo). Imaginem uma sociedade em cada discurso nas Atas do Congresso, cada comercial de televisão, cada sermão tivesse uma margem de erro anexa ou equivalente.
Bem, depois desse texto, não tenho mais nada a declarar. Apenas desejar: ciência, ciência.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Campanha Dia das Crianças. Qual é a melhor: C&A ou Riachuelo?
O estilo retrô da C&A?
Ou a irreverência da Maísa?
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Filosofia de segunda
Marx: prisma para enxergar as contradições da nossa era
Contemporaneamente ainda usa-se com freqüência as palavras “socialismo” e “comunismo”. Muitas pessoas e, principalmente, partidos políticos denominam-se como tais. Mas, se muitos destes sequer distinguem conceitualmente esses termos, o que dirá de aplicá-los de fato.
O texto que se segue sequer pode ser considerado uma introdução. Seria pretensão e até presunção tratar de um sistema filosófico tão complexo como o marxismo nestas poucas linhas. Meu intuito aqui é, quando muito, acender no leitor a faísca da filosofia marxista para posteriores pesquisas e estudos.
Antes de tratar da filosofia de Marx, vale uma breve contextualização histórica: o século XIX é marcado por contradições. De um lado, o crescimento do movimento operário e a difusão das propostas políticas anticapitalistas (socialistas e anarquistas). Do outro, homens que se orgulhavam de seu tempo: a prosperidade, o avanço (tecnológico e cientifico) e a “vitória” da razão sobre e superstição Medieval ensejada pelo Iluminismo, fomentaram esse sentimento da onipotência humana. Tanto é assim que o final do século XIX foi, por muitos, denominado “belle epoche”.
Marx (1818-1883) e Engels (1820-1895) desenvolveram sua vasta obra intelectual nesse contexto. Mais do refletir os problemas da modernidade, o marxismo intentava articular teoria e prática. Dizia Marx “os filósofos preocupam-se muito em compreender o mundo. É preciso transformá-lo.”
Para entendermos o marxismo temos que adentrar um pouco na filosofia de Hegel (1770-1831), cujo pensamento influenciou Marx, principalmente o conceito de dialética. Grosso modo, Hegel ambicionava uma filosofia absoluta. Concebia total identidade entre pensamento e realidade. O devir (vir-a-ser) seria o percurso da Razão; o que existe é a Razão. O movimento dialético (tese – antítese – síntese) do devir consiste na superação da etapa anterior pelas etapas mais avançadas. A própria história da humanidade é a dialética racional, um movimento de autoconstituição da Razão . Nessa perspectiva, os Estados Contemporâneos (do século XIX) seriam a realização da Razão Objetiva.
Marx inspira-se na dialética de Hegel, mas muda-a consideravelmente.
Para Hegel, a consciência determina o ser social do homem. Para Marx é o contrário. Ele rejeita uma definição metafísica do homem e afirma a natureza humana constituindo-se na própria historicidade, nas relações dos seres humanos entre si e com a natureza. Marx critica a dialética de Hegel por tomar como ponto de partida a Ideia. A história da humanidade é reduzida à realização da Razão. Na dialética de Marx, o homem é o ponto de partida. Mais precisamente o homem em seu enfrentamento com a natureza pela sua sobrevivência. O homem define-se através de sua ação sobre a natureza; através do trabalho (eis um conceito caro!).
Para muitos filósofos, o que diferencia o homem dos demais seres vivos é a racionalidade. Para Marx, o trabalho é o fundamento do homem. É este que destaca o homem dos demais seres. O trabalho é a humanização da natureza.
Poderia se levantar uma objeção: mas animais como as abelhas, por exemplo, não trabalham? Marx diz que não. O trabalho humano singulariza-se pelo uso de instrumentos confeccionados pelo próprio homem e, principalmente, pela consciência do ato.
O pensador concebe uma situação original da humanidade (comunismo primitivo), na qual os seres humanos, livremente associados em comunidades, se apossam coletivamente dos meios de produção necessários à sobrevivência e, expostos à superioridade da natureza, elaboram o modo de produção comunitário. Com o desenvolvimento das forças produtivas, da divisão do trabalho e, principalmente, com o surgimento da propriedade privada, o trabalho aliena-se (estranha-se). A alienação consiste na perda de identidade entre o trabalhador e o produto de seu trabalho; na separação entre concepção e execução do trabalho. Eis a mortificação da essência do trabalhador; a negação da sua humanidade.
Pela alienação do trabalho, vem também a alienação moral, artística, cultural e política.
A sociedade é dividida em classes sociais (proprietários e não proprietários dos meios de produção). O homem estranha-se em relação a si mesmo e em relação ao outro ser humano.
A classe social dominante detém o controle dos meios de produção material e, por conseguinte, também controla a circulação de idéias e as decisões políticas. A explicação do mundo é feita a partir do ponto de vista dessa classe, que tende a apresentar como universais suas idéias. Mais um conceito caro: ideologia. Ao contrário do senso comum, que define ideologia como conjunto de idéias, Marx a ressignifica. Em seu sistema, ideologia é uma falsa consciência da realidade, ou seja, uma representação idealizada do real.
O Estado é concebido como um instrumento de domínio. A Instituição política realiza a vontade da classe dominante, mas não necessariamente como uma trama ou conspiração. Um exemplo claro podemos resgatar na Idade Média: a visão teocêntrica era a Realidade, a lente através da qual todos enxergavam o mundo. A divisão social era tripartite, como o corpo de Cristo e a Santíssima Trindade. O clero era responsável pela oração, a nobreza pela proteção bélica e os camponeses pelo sustento material. Essa foi a visão de mundo por muitos séculos, compartilhada inclusive pelos camponeses.
O movimento dialético na luta de classes assim se configura: a classe dominante sendo a tese e a classe dominada sendo a antítese. A síntese é a transformação revolucionária, ou seja, a passagem de um modo de produção a outro. Novamente um exemplo da Idade Média, mais precisamente a passagem do feudalismo ao capitalismo: no modo de produção feudal, há o domínio de uma classe de proprietários (nobreza e clero) sobre os camponeses em condição de servidão. A ideologia predominante é a católica e o poder político é exercido localmente pelos senhores dos feudos. Com a elevação da força produtiva (revolução agrícola, renascimento comercial e urbano) surge a burguesia (habitantes dos burgos) e as relações mercantis. Desenvolve-se a consciência de classe burguesa e esta mobiliza a plebe para o enfrentamento da nobreza e do clero. Dá-se a Revolução Francesa e a Revolução Industrial e, com isso, o feudalismo é superado pelo capitalismo.
Marx vê no capitalismo o ápice da alienação, pois a separação entre os trabalhadores e os meios de produção é gritante; o ser humano é reduzido a um animal de trabalho; a coisificação das relações sociais torna-se latente. Nesse contexto, tende-se a um descompasso entre as relações sociais e os aspectos políticos da sociedade. O conflito de classes começa a adquirir contornos mais explícitos e suscita a Revolução Proletária, a superação do capitalismo e a emancipação da humanidade.
O modo de produção socialista (que se baseia na propriedade estatal dos meios de produção e na ditadura do proletariado) prepara o terreno para o desfecho da dialética da humanidade, ou melhor, a síntese do processo: o comunismo. Suprime-se a divisão social em classes e supera-se a existência alienada. Estabelece-se a consciência autêntica da realidade, das relações sociais, culturais e políticas. Desaparece o Estado.
Marx deixou um grande legado. E, entre os herdeiros de sua teoria, as interpretações são, por vezes, divergentes. Há, de um lado, os ortodoxos que preservam as teses centrais. Já os heterodoxos inspiram-se em alguns conceitos do materialismo dialético, ressignificando- os em novas perspectivas. No século XX, tivemos algumas tentativas de implementação do sistema socialista. Lênin, em 1917, liderou a revolução Russa que culminou no socialismo real (que perdurou até o final da URSS em 1991). Mas este, nem de longe cumpriu os preceitos da teoria marxista. Daí, podemos extrair algumas hipóteses: ou o marxismo é inaplicável na prática, ou sua teoria foi distorcida, ou as duas coisas.
Fato é que Razão enfraqueceu-se. A desigualdade preponderou durante o século XX. As duas guerras mundiais soterraram os preceitos do Iluminismo. A questão “Por que não se cumpriu a expectativa iluminista de emancipação da humanidade?” ainda atormenta alguns teóricos. De qualquer maneira, é de se apreciar a beleza do sistema filosófico de Karl Marx (sob o ponto de vista estético), bem como sua pertinência, coesão e coerência.
sábado, 26 de setembro de 2009
Preparem os lenços
Acordei com essa crônica do Fernando Sabino martelando minha cabeça. Compartilho-a com vocês.
A última crônica
"A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Com essa foto dá pra vender o quê?

Quais associações essa imagem inspira? O que é possível vender com ela?
Mande sua sugestão. Semana que vem, postamos o anúncio original.
Com essa foto a Saatchi & Saatchi de Sydney, Austrália...
Conceito: Mate um criança. Mate uma família.
Já as duas melhores ideias, em nossa opinião, foram:
Você sabe quantas famílias são destruídas no Brasil devido à irresponsabilidade no trânsito?
Se beber, não dirija. Brasil, um país de todos.
Criação do Rafa Fernandez. Valeu, Rafa!
Quer mais algum motivo pra atravessar na faixa de pedestre?
Organização dos Direitos dos Pedestres. Por que você tem direito de ir e vir.
Criação da bemdita comunicação. Boa, bemdita!
E a menção honrosa vai para:
Novo Citroen C4 Flex. Todo mundo vai querer dar uma voltinha. Nem que seja até o hospital.
Criação do Carlos Olivo. É humor negro, mas é criativo.
Abraços a todos. E valeu pela participação!
Bizarro
No último final de semana, circulando por Ribeirão Preto, me deparei com um anúncio "interessante".
O que será que eles estão tentando dizer, sugestões?
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Onde vamos parar?
Como vários outros, o atual comercial de Havaianas é sensacional.
Porém,teve gente que não gostou, o que obrigou a empresa a tirá-lo do ar e produzir um remake.
Abaixo o vídeo na íntegra.
Se tudo o que não gostássemos na tv fosse retirado do ar, haveria propaganda política?
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Twittada
1º) Tentaram restringir a internet.
2º) Aumentaram o número de vereadores no país.
3º) Se meteram em Honduras e agora pedem ajuda.
Estou falando dos maiores cômicos da atualidade.
Discussão inspira
Meus queridos blogueiros,
o último post: “CQC caipira”, do grande Rony, provocou uma boa e saudável discussão sobre se existem ou não comediantes femininas "genuínas" no Brasil e no mundo.
Ou se quem manda, em matéria de humor, são os homens mesmo.
Sem entrar no mérito machista (?) da questão, o que me chama a atenção nesse tipo de entrave discursivo é como podemos ter pontos de vista tão distintos sobre um mesmo assunto.
Somos todos muito diferentes. E aprendemos (quando temos humildade) com opiniões contrárias. Quem está certo? Quem está errado? Cada um que tire sua própria conclusão.
Para mim, o que vale é apreciar o debate. É notar, palavra a palavra, frase a frase, como ocorre a construção de mecanismos lógicos para refutar uma afirmação da qual uma pessoa discorda.
É enriquecedor perceber todo esse movimento argumentativo.
Discussão inspira. Mesmo quando ficamos estressados quando discutimos.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
CQC caipira

Para os que não acompanharam o programa da Band ontem, Ribeirão Preto está muito bem representado na final do concurso que vai eleger o 8º integrante de preto.
Monica Iozzi, 27 anos, formada em artes cênicas pela Unicamp, chegou a final após eliminar o Paulão (Paulo Afonso), do banda de rock Velhas Virgens.
Segundo Monica, em entrevista para o blog do CQC: "o programa tem contribuído muito para o aumento (ou retorno) do interesse da população por acontecimentos políticos e pela vida cultural do país" por isso seu desejo em ser mais uma integrante.
Na final, na próxima segunda, Monica enfrentará Carol Zacolli, paulistana, humorista de stand'up comedy.
Parabéns Monica.
Será que agora, com uma moça apertando, o Genuíno cede ao CQC?
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Filosofia de segunda
Filosofia, arte e história
“As três funções segundo as quais nossa mente atua sobre os objetos do pensamento são: a memória, coleção (armazenamento) passiva dos conhecimentos. A razão, reflexão sobre os objetos das idéias e a imaginação, força criadora. Essas três faculdades formam as três divisões fundamentais dos conhecimentos humanos: a história, que se refere à memória, a filosofia, que é fruto da razão (aqui se encaixa também a ciência) e a arte, que surge da imaginação.”
Assim, o pensador D’Alembert (1717-1783) nos presenteia com uma pincelada sobre o seu ponto de vista acerca do funcionamento da nossa mente.
Eu acrescentaria (ou talvez substituiria pela memória) o termo projeção, que seria a capacidade do homem de se colocar no passado ou no futuro. No passado, através da memória, das lembranças. No futuro, pela expectativa.
Essa faculdade faria do homem um ser atemporal.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Ontem fui a Campinas para participar do COLÓQUIO INTERNACIONAL NIETZSCHE. CRÍTICO DA MODERNIDADE.
Os dois caras mais fudidos de Nietzshe no mundo palestraram: Prof. Dr. Werner Stegmaier, alemão que coordena o centro de pesquisa na Alemanha e o Prof. Dr. Marco Brusotti da Universidade de Berlim. Além das palestras, ouvimos as apresentações das teses de mestrado e doutorado dos alunos da Unicamp (um deles, inclusive, é meu professor). Uns apresentaram em alemão, outros em inglês, outros ainda em italiano. E cada nabada eles tomaram dos doutores alemães!
Disso tudo, duas conclusões:
1- Tem gente que acha maravilhosa aquela palestra que entende-se tudo. Comparece, na verdade, para constatar o seu conhecimento. Isso serve, no máximo, para massagear o ego.
Palestra boa é aquela que você sai se sentindo mal, se sentindo ignorante. Por que? Porque instiga, coloca a pulga atràs da orelha. Você sai louco para estudar mais e mais (tô me sentindo mal até agora)!
2- Se os caras que apresentaram suas teses de mestrado tremeram na base diante dos alemães fudidões e esses caras são meus professores fudidões, eu sou o quê? Estou em que patamar?
É! São situações como essas que nos fazem correr atrás para enriquecer a cada dia o nosso conhecimento.
Valeu.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Com essa foto dá pra vender o quê?

Quais associações essa imagem inspira? O que é possível vender com ela?
Mande sua sugestão. Semana que vem, postamos o anúncio original.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
A primeira vez que torci para um argentino
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Filosofia de segunda
A existência de Deus
Semana passada, ao colocar o conhecimento de Deus em xeque, recebi algumas críticas. Deixo claro que a intenção é simplesmente suscitar a reflexão. Não necessariamente eu compartilho com o que está no texto. Aliás, ser imparcial tem sido uma premissa nos escritos.
Hoje trago o outro lado da moeda: a existência de Deus e suas provas.
Em um extremo há os que descredencializam a “razão” em relação aos assuntos divinos. Raciocínio e fé seriam “departamentos” totalmente independentes. Isso fica evidente em uma passagem do filósofo francês Maupertuis (1698-1759): “O âmbito religioso nada tem a ver com o científico. A religião nada tem em comum com as outras partes do saber. Ela não se baseia nem nos princípios da matemática, nem nos da filosofia: seus ensinamentos são de uma ordem que não tem nenhum vínculo com alguma outra ordem de nossas idéias, e que constituem em nosso espírito uma ciência inteiramente à parte, da qual não se saberia dizer se está em acordo ou em contradição com as outras ciências do homem.”
Na outra ponta, os que defendem a investigação racional da religião (inclusive teólogos canonizados pela Igreja Católica, como Santo Agustinho e São Tomás de Aquino). Estes tentaram provar racionalmente a existência de Deus. O francês do período Iluminista Diderot (1713-1784) desafiou tais teses: “Se a religião que me anuncias é verdadeira, sua verdade pode ser posta em evidência e pode ser demonstrada com argumentos irrefutáveis”
Provar a existência de Deus (ou dos deuses) foi recorrente na filosofia, principalmente na medievalidade. Eis algumas das conclusões (sucintamente):
1- Inteligência ordenadora do mundo.
O mundo, com toda a sua complexidade, não poderia existir sem um Ordenador Divino.Platão, em sua obra Fílon afirma: “Se virmos uma casa construída com cuidado, teremos uma idéia do artista. Não diremos que foi feita sem um artesão. E o mesmo diremos de uma cidade, de um navio ou de um objeto qualquer. Do mesmo modo, aquele que entrou nesse mundo e viu o céu, os planetas e as estrelas...esse homem concluirá que tudo isso não foi feito sem uma arte perfeita e que o artífice desse universo foi e é Deus.”
2- Causa
Essa prova, introduzida por Aristóteles, foi retomada séculos mais tarde por Tomás de Aquino. Afirma: é impossível remontar ao infinito na série de causas. E como tudo o que acontece tem uma causa, tem que haver um princípio não causado: Deus.
3- Movimento
Similar a precedente. Foi mencionada pela primeira vez por Platão. Na filosofia Medieval foi rediscutida por Adelardo de Bath no século XI e Tomás de Aquino no século XIII:Tudo o que se move é movido por outra coisa. Ora, se aquilo pelo qual é movido por sua vez se move é preciso que também ele seja movido por outra coisa. Mas não é possível continuar ao infinito; senão não haveria um primeiro motor e nem mesmo os outros motores moveriam, assim como o bastão não se move se não for movido pela mão. Portanto, é preciso chegar a um primeiro motor que não seja movido por nenhum outro.
4- Graus
Não poderia haver “melhor” sem um parâmetro de perfeição. Os próprios graus de perfeição presentes na natureza nos levam ao conceito de perfeição absoluta. Anselmo, filósofo da Idade Média, nos lega: “Se não se pode negar que algumas naturezas são melhores do que outras, a razão nos convence que há uma tão excelente que nenhuma outra haverá que lhe seja superior. De fato, se essa distinção de graus prosseguisse ao infinito, de modo que não houvesse um grau superior a todos, a razão seria levada a admitir que o número dessas naturezas é infinita. Mas como isso é considerado absurdo, deve haver necessariamente uma natureza superior, que não possa ser subordinada a nenhuma outra.”
5- A existência é uma perfeição
Descartes, no século XVII, afirma: a existência de Deus está implícita no conceito de Deus, do mesmo modo que está implícito no conceito de triângulo que seus ângulos internos são iguais a dois ângulos retos. A existência é uma perfeição. Deus tem que ter todas as perfeições. Portanto Deus existe.
6- Presença da idéia de Deus no homem
É impossível explicar essa presença de outro modo que não pela produção do próprio Deus, que por isso, deve ser considerado existente. Descartes afirma: “a causa deve ter , ao menos, tanta realidade quanto o efeito. Eu poderia ser a causa da idéia dos corpos, do céu, enfim, de tudo, exceto a idéia de Deus (substância infinita) ao passo que eu sou finito. Portanto deve haver uma substancia infinita sumamente inteligente e potente como causa da idéia que dela tenho.”
Segundo Pascal (1623-1662) não se pode adiar o problema de Deus e permanecer neutro diante de suas soluções. O homem deve escolher entre viver como se Deus existisse ou viver como se Ele não existisse. Se a razão não pode ajudá-lo nessa escolha, que ele considere qual é a escolha mais conveniente como se estivesse diante de uma mesa de jogo. Eis a famosa aposta do pensador francês que retrata bem as nossas possibilidades:
Se Deus existe e a Sagrada Escritura é verdadeira, sua crença vai dar-lhe infinita felicidade após a morte. Se Deus não existe, tudo o que você tem a perder acreditando n' Ele são os prazeres finitos de uma vida finita.
A roleta está girando, senhoras e senhores.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Anúncio de oportunidade

Taj Mahal. Suíte das Índias.
Anúncio veiculado hoje, dia 11/09, no dia do último capítulo da novela “Caminho das Índias”.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Com essa foto foi criado um anúncio para...

Meias Nur Die.
Desculpa aí, galera, a demora da revelação. Muito trampo, muito trampo.
Agora as três melhores ideias, na nossa opinião, foram:
"Reveja suas estratégias.www.administradores.com.br"
Dinheiro não dá em árvore.
Criação do Anônimo. Parabéns, Anônimo!
"Meia Calça Trifil. Você tem que ser transparente. Ela não."
Criação do João Marcelo. Valeu, João!
"Definitivamente, a sua meia-calça deve ter apenas uma função: deixar suas pernas mais bonitas." Like Legg's
Criação do Douglas Padilha. Boa, Padilha!
Valeu a todos que participaram!
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Filosofia de segunda
Deus pode conhecer?
Simplificadamente, não.
Antes de expor os porquês, precisamos delimitar o termo conhecimento.
Para Platão, conhecimento é opinião (crença) verdadeira justificada. Essa definição tripartite, apesar de inúmeras refutações, ainda sustenta-se como plausível. Conhecer X significa um procedimento capaz de fornecer algumas informações verificáveis sobre X, ou seja, algo que permita descrevê-lo, calculá-lo ou prevê-lo em certos limites. Diferente da simples crença, que é o empenho na verdade de uma noção qualquer ainda que não aferível.
Conhecimento não é saber fazer. Saber fazer é saber “como” (prático). Conhecimento é saber “que” (teoria, proposicional).
Voltando a pergunta inicial: independente da definição, o conhecimento sempre se dá na relação Sujeito – Objeto.
Por sujeito, entenda-se todo ser capacitado racionalmente.
Objeto é o fim a que se tende; a coisa que se deseja; o conceito pensado. É tudo aquilo que o sujeito é capaz de conhecer.
O próprio termo objeto dá uma noção de como se dá essa relação. Derivado de objetum, tem a mesma raiz etimológica de “objeção”. Daí, o conhecimento só é possível na contraposição Sujeito – Objeto.
O conhecimento pleno, absoluto, que necessariamente seria o de Deus (por ser perfeito), elimina a contraposição S-O. Pressupõe que Ele “penetre” no objeto. Sujeito e Objeto seria uma única coisa. Mas, sem contraposição, não há conhecimento.
O mesmo viés interpretativo ainda elucida-nos que Deus, por ser perfeito (completamente feito) não suporta “falta” em seu Ser. Assim como o “desejo” (o querer), conhecimento é carência, pois só é possível conhecer o que não se conhece. Um Deus carente ou incompleto é inconcebível.
Portanto, ou Deus elimina a contraposição necessária ao conhecimento (tornando-se objeto) ou admite sua carência e permanece na relação.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Propaganda X Produto
Às vezes, antes de falar em estratégia e criação na comunicação, é preciso falar em verdade:
Sadia - Hot Pocket X-Burger
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Guerrilha
A favela de Heliópolis - SP virou um campo de guerra ontem com pelo menos quatro ônibus e três carros incendiados. Esse foi o segundo dia de protestos contra a morte de uma jovem de 17 anos, vítima de uma bala perdida durante uma perseguição policial.

É pacabá!
Translúcido, transparente não.
E para se mostrar transparente, o Governo Federal lançou o "portal da transparência", no qual todo e qualquer cidadão pode acompanhar o destino do dinheiro público, a aplicação do dinheiro dos seus impostos. O quão transparente é o projeto eu não sei. O que não podemos negar é que a iniciativa é boa. Pelo menos é uma tentativa de tapar os milhares de buracos da ética na política.
Abaixo o comercial que convida o cidadão a acessar o site:
Pra quem se interessar: www.portaldatransparencia.gov.br
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Twittada
Deu no G1: Famílias dos EUA aprendem a usar twitter e redes sociais para se comunicarem em casos de desastres.
No Brasil, aprendem pra escrever coisas do tipo: acordei às 07h e comi pão com manteiga.























